sábado, 7 de julho de 2018

Declaração de amor


Amo-te,

Amo-te,
Não pela perfeição do teu ser,
O quer que isso seja,
Mas pelas tuas imperfeições,
Que na realidade,
Se transformam na tua
Perfeita essência,

Amo-te
Porque és um íman,
Que atrai a profundidade do melhor
De nós,

Amo-te,
De onde vens,
Para onde vais,
Mas, no essencial,
Pelo que és!

sábado, 9 de junho de 2018

Vem


Bem devagar, 
Vem, 
Traz o teu seio para o meu 
Meio, 

Incinera o azul do céu 
Numa estrela fulgurante, 
No limite do observável, 

Não te apresses, 
Mas não te atrases, 
Combina a certeza  
Com a leveza 
Do toque, 

Observa a gota de água 
Refratando a Natureza, 
A beleza captada num 
Diafragma diáfano,  
Um simples ponto, 
Uma imensidade libertada, 

Desponta no sorriso fascinante, 
Na gargalhada tonítrua, 
Graciosa, 
Apenas tua, 
Límpida, 
Brilhante, 

Assumiste a delicadeza com 
Firmeza, 
Como um tempo de vida, 

Uma voz sussurra, 
Ficamos, assim como que  
Ligados,
Libertados para
Nascer,

Celebro-te como és, 
E, sobretudo, porque 

Vieste, 
Chegaste 
No tempo exato 
E certo! 

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Existe


Existiu, alguma vez, em
Algum tempo indeterminado,
Uma voz que nasceu!

Cresceu,
Construiu,
Construiu-se,
Dedicou-se,

Caminhou,
Idealizou,
Em especial,
Poetizou,

E, hoje, existe
No mundo autêntico,
Em que os seres vivem e
Devaneiam,

Consubstancia o verbo existir
No apetecer,
Emancipa o direito
De estar,

Liberta o desejo de
Amar!

terça-feira, 17 de abril de 2018

Uma rota


O homem,
Na esquina da rua,
Canta uma melodia desafinada,
Aclara um rumo para o sol,
Brilha,
Endereça uma rota que estremece no tempo,
Foge do Inverno,
A criança brinca,
A Primavera atavia-se,
A serenidade exulta!

domingo, 8 de abril de 2018

Auras


A certeza invade o corpo,
Sobe deliberadamente,
Ocupa um espaço infinito,
Desmente
Os áugures tristonhos que avassalam
Com os seus presságios
Lúgubres,
Desenrola-se lentamente,
Abre-se
Numa melancolia indolente,

Planta-se numa chuva miudinha que estarrece no
Chão ocre,
Onde está a bússola que aponta?
A estrela que orienta?
O sol que ilumina?

Houve um sinal feliz,
Um intermezzo significante,
Um rigor assertivo esbate-se na certeza do saber,
Livre, tão liberto quanto permite a prisão da vida,
O rumor alteia o som da voz tonitruante que resvala nas paredes vazias,
Ocas, inflexíveis na sua ociosidade,

Inamovíveis,
No entanto movem-se perante o desejo,
Erguem-se mediante a vontade,
Separam ou unem conforme os anseios,

Uma pedra
Repleta de veios que a atravessam,
Miríade de minerais,
Quartzos, micas feldspatos,
Reluzem ao sol,

Terra,
Terra vermelha,
De uma paisagem que se estende para
O céu infindo,
Toca-o levemente no entardecer ígneo,

Misturam-se,
Adoçam-se,
Questionam-se,
Insurgem-se,

Mero acaso?
Destinos?
Percursos convergentes?

Assumem-se
Num Olimpo terrestre,
Sem deuses,
Mas com vida,

Sem unanimidade,
Mas com verdade,

Com liberdade,

Atravessam um tempo,
Lugares,
Planam num Universo,
Por vezes brutal,
Mas magnífico,
Pleno de alma, de
Sabores,
De cores,

Insinuam-se,
Interligam-se,

Bebem de uma aura
Mútua.

domingo, 11 de março de 2018

Desejo vadio


Um certo céu
Expande-se na natureza de
Estar,
De bem-estar,
De andar, mas
Também de ficar nos sítios plenos e
Apetecidos,

Nasce um desejo vadio e tranquilo de
Conhecer,
De ultrapassar o nosso Cabo Desconhecido,
Navegar,
Esperar, levemente distraído,
Relevar o GPS,
Viajar na plenitude da consciência,
Desligar
E interligar,

E nestes novos azimutes,
Surge um enorme
Desejo

De segurar,
Entre as mãos,
As odes
Que glorificam o
Prazer de
Amar!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

O passar, devagar, do tempo (uma reflexão a propósito do livre-arbítrio)


Uma parede de tijolos aprisiona os sentidos
Embotados pelo passar, devagar,
Do tempo,

Por vezes,
Omnisciente,
Muitas mais,
Ignorante,

Sempre, pelo menos assim o deveria ser,
Uma interrogação para o futuro,
A procura de desvendar o mistério da vida,
A questão que se coloca incerta,

Mas vai adquirindo determinação,
Inculcando segurança,
Para logo desabar,
Em serena câmara lenta, destruidora,
Espalha-se, rodeia o planeta,
Eleva-se um pó violento que tudo
Obscurece,
Entope a visão, incapaz de perfurar o destino,

Esconde o medo,
Cerra os caminhos,
Veda as veredas com circunvoluções
De um qualquer labirinto psíquico em que
A mente se transmuta num espetáculo de
Cinema mudo,

As mãos impedem a cabeça de resvalar,
Incontroladamente,
Os dedos sublevam os cabelos
De forma errática,

O pensamento deduz-se nos impulsos elétricos
Que percorrem os neurónios
Numa solicitude semântica,
A sinonímia converte-se em
Antonímia,

O cientista explora os sentidos da vida,
Busca um sentido para o caos,
Perpetra uma explicação para o fenómeno
Da criação,
Insere mais uns dados no conhecimento informatizado,

Reaparece num monitor de alta definição,
Equaciona mais um gráfico multicolorido,
Explana mais uma teoria elucidativa,
Quem sabe, talvez até evolutiva,
Entrevê-se a génese do Big Bang,
Um nome cinematográfico para o início do tempo,

Olvidamos o passar dos dias,
Perdemos o ensejo de uma tarde aprazível,
Entretidos, apenas, pela ambição de
Nada fazer,
Simplesmente apreciar o sonho,
Crescer na utopia da felicidade,
E, apesar de tudo,
Perseguir a demanda de estar vivo,

O livre-arbítrio nasce para logo
Esmorecer
Na intensidade quântica do Universo,

Somos a sorte ou o azar,
O encontro ou o desencontro,
A genética que nos concebe,
E fica muito
Pouco para a liberdade de ser!

Existe a dor de partir,
De ficar,
A dor de esquecer ou
Recordar,

Há dor no respirar,
Na felicidade de amar,
No odiar,
Na beleza da paisagem
Na fotografia amarelecida,
No pixel desbotado,

Há dor na doença,
Na alegria,
No logro do livre arbítrio,
Na hora que se segue,
No estupor do momento da revelação,
Na (in)certeza de Heisenberg,
Na convicção destruída,
No delir do provir,
Na afetação do discurso,

E,
Ao contrário de que os
Hedonistas apregoam,
Não há vida sem dor,

Simplesmente
Acontece dor em
Viver,
Como existe felicidade,
Liberdade,
Verdade,
Alegria,

São a duplicidade,
A dicotomia
De residir neste planeta,

Porque a entropia
Domina completamente o
Universo,
Multiverso que seja!

segunda-feira, 8 de janeiro de 2018

Clarificar

Clarificar a vida,
Escrever o que está escrito,
Modificar o que preciso for,
Demorar no pensamento,
Solicitar a solidão,

Entregar-se na deriva dos ventos,
Soletrar as palavras malditas,
Pactuar com o silêncio,
Admirar a noite,
Gozar a liberdade,

Entrever o futuro,
Demolir a insolência,
Deliciar-se no calor do dia,
Ou no fresco da brisa marítima,

Conviver com outros e consigo,
Disseminar o verbo,
Intuir a verdade,

Inseminar a Democracia,
Como um verbo substantivo,

Conhecer a turbulência,
Animar se no conflito,
Mas prevalecer na paz e na
Tranquilidade,

Viver como se reconhece,
Estar de bem com a consciência,
Como condição indispensável
Para uma existência 
Verdadeira.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2017

Nada perturba o silenciar da Natureza

Nada perturba o silenciar da Natureza,
Nem os momentos de desespero,
Nem sequer as noites mal dormidas,
Os tempos perturbados,
As expressões, de algum génio do mal,
Sempre liberto da sua lâmpada opaca
E tonitruante,
Um espelho carcomido pelo bolor do tempo,
Uma regra universal
Desconhecida,
Um evento,
Um advento,
Qualquer que seja.

Nada perturba o silenciar da Natureza,
Exceto a efervescência dos pensamentos
Que se transcrevem nestas linhas
Obscurecidas, mas ao mesmo tempo,
Iluminadas por alfabéticos sinais,
Emulam momentos,
Tristeza, alegrias,
Certezas, incertezas,
Enfim,
A dicotomia de estar vivo
E amar,
Que se completa com a perfeita
Emoção de ser
Amado.

Nada perturba o silenciar da Natureza,
Porque, no amor
Até o silêncio se torna
Perfeito.

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A minha poesia, numa perspetiva, quiçá, iconoclasta)

Embora possa abordar temas sociais,
Não existe política nessa poesia,

Pois nela se afirma a doçura
Dos afetos,
A imponderabilidade dos sentimentos,
A alegria de viver
E conviver,

A complexidade do pensamento humano,
A fantasia infinita do Universo,

Espairece das agruras,
Será, talvez, pouco interessante,

Mas aufere da dignidade de germinar,
Brotar,
De aparecer,
Desapontar,
Incomodar,
Inventar,

Pontua o ato de viajar e
Pensar,
E, na sua essência,
Celebra a liberdade,
Luta pela assunção da diferença,
Pela irreverência de escrever,
Ainda mais,
Pela ousadia de ler, ser,
E, Sempre,
Pela possibilidade de pelear as
Causas que merecem ser
Contestadas,

E, como ato mais
Conseguido e
Perseguido,
Comemora o ato
De amar,

Será incompleta,
Até mesmo imberbe,
Mas sempre genuína.

sexta-feira, 3 de novembro de 2017

Borboletas

Num espaço confinado,
Entre borboletas criadoras de um vórtice tentador,
Derrama-se por eternidades definidas no
Tempo,

Recrudesce de intensidade
Numa esplendorosa erupção,
Vitrifica os emolumentos da
Vida,

Dispara, certeira, uma palavra
Emocionada de alegria,
Um carinho,
Diverte, diletante, um público
Estreante,

Um passo no sentido dos ponteiros do relógio,
Espraia-se
Numa praia distante,
Ouve-se um rumor inquieto,
Por onde o cometa cruza o céu negro,
Deixando um rastro leve,

De um outro lado,
Num outro lugar,
Escuta-se o silêncio abrindo portas para o
Desconhecido,
Talvez encontrado,
Talvez perdido,
Provavelmente, algures, entre os dois extremos,

Ou, quem sabe,
Numa outra galáxia,
Outra dimensão,
Para lá do universo,
Algures escondida no labirinto do
Multiverso,

Ofuscante,
Derrete o gelo que
Borbulha na bebida transparente,
Embacia o copo,
Liberta ligeiras nuvens que se condensam no
Ar quente,

Libertam minúsculas partículas,
Adoçam o ar,
Volteiam na brisa,
Abrem as asas para o sol,
Apesar da chuva desabar com violência,
Voam,
Voam por alturas imensas,

Afinal são borboletas que alimentam o mundo
De cor,
Batem as asas e, num lugar distante,
Uma tempestade irrompe,
Afinal as borboletas voam e
Dignificam a multiplicidade de significantes
De um tema,
De uma vida,
Da liberdade!

quarta-feira, 4 de outubro de 2017

Encontrar

Cinquenta e nove,
Caminhos percorridos,
Perdidos e achados,
Reencontrados,
No encontro dos sessenta,
E o mundo não é
Das religiões ou dos ateus,
Da liberdade ou da opressão,
Da verdade ou da mentira
Dos animais,
Nem dos vegetais,
Da Ciência ou do Humanismo,
Da realidade ou da virtude,
Do começo ou do fim,
Do entretanto,
Dos sabores,
As notícias,
As lutas e as novidades,
No que realmente importa fica a
Procura,
E, no sabor, especialmente gourmet,
De encontrar! 

sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Sempre na verdade

O vento ruge despudoradamente
Entre as árvores,
Saracoteiam os ramos em danças insinuantes,
Estabelecem a calma e a paz
E o fervilhar de emoções,
Que se insinuam de forma leve,
Transparente e
Constante.
Enuncia um tempo feliz,
Despreocupado mas
Atento,
Um usufruto intemporal,
Uma realidade construída,
Edificada,
Espelhada no silencio,
Nas conversas,
No tumulto,
Na bonança,
No ardor,
Sempre na verdade.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Inconstância da vida

Leve brisa espraia-se pelo tempo quente
Presente,
Quiçá futuro…
O marulhar confunde-se
Com o esvaído das estrelas que
Pernoitam no céu escuro,
Esvoaçam, serenas, questões que abalam
O rochedo da existência,
Tremeluzem luzes luzidias,
Por vezes
Até fugidias,
Assapam, inglórias,
A leveza de viver,
Ostentam perfumes exóticos,
Burilam,
Enxameiam, diletantes, o opróbrio da intolerância,
Hipnotizam,
Insones, gravitam no sono agitado,
Impermeabilizam ou estabelecem
Relações osmóticas,
Na inconstância da vida,
Transformam-se no
Perfume da delicadeza,
Movem-se, com veracidade, para a
Fidelidade!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Arco de luz

Um arco de luz feérico
Ilumina a vida em seu redor,
Ilumina-me,

Por vezes,
Esmaece,
Transforma-se numa claridade dispersa
E erótica,

A língua estremece na minha,
As mãos arrepiam a pele,

O ritmo interpenetra-se com o
Meu,

A voracidade do desejo
Funde-se na minha paixão,

Afundamo-nos na lava do vulcão que
Nos habita,
Geramos o nosso terramoto,

Seduzes-me
Pelo teu amor irrequieto,
Sedoso e reconfortante,

Seduzes-me
Pelo teu pensamento esvoaçante e
Intrigante,
Ao mesmo tempo,
Leve e refrescante,

Pelo teu riso
Esfuziante,
Contagiante,

Pelo teu modo de viver,
De ser,

Pelo teu abraço quente,
A voz que acompanha,
Mesmo na solidão,
Pela preocupação com todos os seres vivo,
Com os amigos,
Pelo teu olhar,

Seduzes-me por seres
Tu! 

domingo, 23 de julho de 2017

O imbondeiro

O fogo devaneia pela savana,
Espraia-se pelo espaço infindável,
Rodeia o imbondeiro,
Acaricia-o ferozmente,
Expectante,
Colhe os frutos,

Mas a árvore
Resiste,
Beleza intemporal,
Na voragem da devastação,
Permanece
Na sua secular imponderabilidade,

Renasce,
Glosa a probabilidade de
Ser,
Amanhece no pôr-do-sol,
Delicia-se no
Entardecer,

Vive,
Porque viver é
Viver,
Está entre nascer e
Morrer,
Insinua-se no hedonismo do ócio,
Delineia um negócio,
Um pacto perspicaz,

Transmuta-se em ser humano,
Estabiliza o olhar circunspecto,
Absorve as ideias fundamentais,
Arquiteta a imaginação,

Refugia-se
Quando é preciso,
E,
De sobremaneira, usufrui o
Tempo,
Na incomensurável excelência
Do ter e
Ser!