Sexta-feira, 1 de Junho de 2012

Ela sorriu


Ela sorriu
E o mundo coloriu-se
De cores cintilantes,
Salta alegremente pelo espaço,
Rodopia num passo de dança
Estonteante,
Abraça as estrelas,
Num feliz e complexo
Amplexo.

Domingo, 27 de Maio de 2012

Viver o sonho


Momentos há em que o pensamento
Permanece vazio,
Despojado de uma ideia ou sentimento,
Separado entre a ilusão e a realidade,
Aquiesce um lento momento de solidão.
No entanto…
A gestação do tempo
Oferece novos conhecimentos
Que simplesmente segredam…
Vive o sonho…

Quinta-feira, 24 de Maio de 2012

Atenas


Atenas,
Ali nasceu a democracia,
O conceito de cidadania.
Dois mil e quinhentos anos depois,
Os mercados,
Os novos senhores do mundo,
Numa tétrica viagem
Do Olimpo para o Hades,
Tramam o seu assassínio.

Segunda-feira, 21 de Maio de 2012

Memórias


Corre uma leve e tépida aragem,
Aporta-me a cálida reminiscência,
A suave memória
De um encontro,
Do perfeito enlace de dois
Diferentes espíritos. 

Sexta-feira, 18 de Maio de 2012

Um dia que passa


Um dia que passa
Uma miragem,
Uma fantasia saída de uma imaginação delirante,
A convicção cega e obtusa
Que a austeridade
Acrescida de empobrecimento
E desemprego,
Qual repetição de um qualquer milagre saloio,
Levará ao crescimento económico.

Terça-feira, 15 de Maio de 2012

Quando te vais embora


Quando te vais embora,
Parto também,
Num turbilhão de saudades,
Do aconchego da tua
Presença.

Domingo, 13 de Maio de 2012

Encantamento


No arrebatamento
De um momento
De deslumbramento,
Teu corpo
Nu,
É o feitiço
De um encantamento.

Quinta-feira, 10 de Maio de 2012

Sinapses


Haver um espaço onde seja possível
Caber tu e eu,
Assim como talvez, e ainda
Outra vez.
Atento ao ter que ler a
Intuição e a
Sensação de ver o teu rosto
No seio da multidão.
E o tempo que se perdeu
Até que nasceu a ideia,
Uma insigne e notável perceção,
Do mundo que gira e caminha,
Transmuta o dia para a noite,
Ou a noite para o dia,
Como melhor te aprouver,
Modifica o nosso modo de pensar,
Aprende, liberta,
Compreende as razões da ignorância,
Transfigura o saber,
Renova o fazer,
E ainda assim permanece
O prazer de te conhecer,
Como uma volúpia intemporal
E intencional.

Terça-feira, 8 de Maio de 2012

Néctar dos sentidos


Esses olhos,
Ah, esses olhos
São dois feitiços cintilantes,
Sortilégios de deusa,
Néctar dos sentidos.
São safiras castanhas que
Incendeiam o escuro da noite e
Empalidecem a lua.

Esses olhos,
Ah, esses olhos
São portas profundas
Para o Jardim do Éden. 

Quarta-feira, 2 de Maio de 2012

Quando me beijas


Os meus lábios ardem,
O coração acelera,
As pernas tremem,
O corpo vibra.
Tudo lugares comuns,
É certo,
Mas nenhum menos verdadeiro,
Quando tu me beijas!

Terça-feira, 1 de Maio de 2012

Manhã campestre


Silêncios apenas quebrados pelo voo dos pássaros,
O leve bramir do vento espraiando-se no verde da paisagem,
O cinzento e vermelho das casas que escalam o monte,
O negrume das nuvens acasteladas no horizonte,
A estrada ondulando pela encosta,
Os animais esparzidos pelas pastagens,
Fragâncias a ervas aromáticas,
Aroma de terra húmida.
Um simples e bucólico
Manifesto de uma manhã campestre.

Sexta-feira, 27 de Abril de 2012

Quarta-feira, 25 de Abril de 2012

Trinta e oito anos depois…


Trinta e oito anos depois…
Chuva,
Intempérie,
Borrasca intensa,
Céu negro de tempestade,
Vento sibilante,
Alvorada inclemente,
País dormente,
Vilipendiado,
Atormentado,
Torturado…
Até quando?

Sábado, 21 de Abril de 2012

Quero saber


Quero saber,
Quero uma esperança,
Quero ver um sinal,
Pressentir no ar,
Prever nas estrelas,
Que o teu sorriso não é fortuito.

Quarta-feira, 18 de Abril de 2012

Espera


Espera,
Não te vás já embora,
Fica mais um bocadinho,
Fala-me do teu dia,
De ti,
Dos teus sonhos e
Ambições,
Fala-me dos teus pesadelos
E medos.
Fala-me do vento nas árvores,
Da bebida fresca que embacia o copo,
Da poesia daquele livro
Com as páginas ainda em branco.
Fala-me da imensurabilidade do cosmo,
Da mais ínfima partícula da matéria.
Fala-me do tudo
E do nada.

Espera,
Não te vás já embora,
Fica mais um bocadinho,
E fala-me de amor!

Segunda-feira, 16 de Abril de 2012

A estranheza


A estranheza criada neste preciso instante,
Assume deliberadamente uma atmosfera de dúvida,
De inconstante incerteza,
Da impossibilidade,
Sim, do impedimento
Que se arvora e tudo
Embarga!

Quinta-feira, 12 de Abril de 2012

Um espaço


Um espaço
Como uma vaga imensa,
Cheiro a maresia que se propaga,
Interfere com a cognição,
Endossa uma tumultuosa solidão,
Envelhecida em pensamentos pausados,
Reverbera lentamente pelo vácuo do pensamento.

A harmonia sonora de um corvo,
Recrudesce por entre as árvores do bosque,
Agita a folhagem,
Emerge,
Liberta-se,
Redime-se!

Segunda-feira, 9 de Abril de 2012

Contigo


Digo,
Que contigo,
O momento acontece,
Embevece,
Permanece uma recordação
Que enaltece.

Contigo,
O tempo dilata-se,
Envolve-nos num círculo mágico,
O mundo emudece.

Contigo,
As palavras banais
Voam,
Alcançam emoções profundas,
Transformam-se em
Imagens maravilhosas,
Incontidas,
Assumidas.

Contigo,
Tudo o mais fenece, mas…
O amor resplandece.

Sexta-feira, 6 de Abril de 2012

Quero


Quero esquecer o teu nome,
A tua voz,
Os teus cabelos na brisa do entardecer,
A suave meiguice da tua recordação.
Quero rasgar todas as fotografias,
Obliterar todas as memórias,
Delir todas as reminiscências,
Dissipar todos os momentos,
Mitigar todas as mágoas,
Abolir todos os pensamentos.
Quero tudo esquecer,
Para de ti,
Tudo recordar!

Domingo, 1 de Abril de 2012

A noite


A noite em que adormeces
E o sonho foge.

A noite em que o luar se esbate
Sobre o mar,
As estrelas cintilam no firmamento,
Os corpos brilham em tons de cinzento.

A noite em que o mundo parou
E a história começou,
O vento acalmou,
Mas o fremir
Da tempestade redobrou.

A noite em que o tempo ronronou,
Aconchegado e agasalhado
Pelo alegre faiscar do fogo na lareira,
Enquanto eu, enternecido,
Todo o teu ser circundo
Num enleio emocionado.

A noite em que o amor germinou,
Brotou e
Floriu. 

Quarta-feira, 28 de Março de 2012

Sedução


Evoca o início do tempo,
Tecido numa teia fina e intricada,
Que tudo envolve,
Numa imagem bela e sedutora
Que conquista,
Inebria,
Um olhar leve e penetrante,
Um tremor,
Um delicado roçar dos lábios,
O amarfanhar dos sentidos,
O abandono lânguido,
O desejo libertado…

Domingo, 25 de Março de 2012

Oráculo


Está profetizado no teu sorriso,
Vaticinado nas constelações,
Pressentido pelo vento agreste do norte,
Pressagiado pelos oráculos mais clarividentes,
Predito pelo encontro dos corpos,
Conjeturado em todos os pensamentos,
Adivinhado pelo toque dos nossos olhares.

Quinta-feira, 22 de Março de 2012

Escrevo uma história estranha


Escrevo uma história estranha,
Enclausurada entre palavras,
Construída por emoções
Na brevidade de um encontro fortuito,
Um inopinado olhar
Que cicatriza mágoas e dores,
Equilibra,
Cria um propósito,
Uma admiração sublime,
Um êxtase sereno,
Um encantamento intemporal.

Segunda-feira, 19 de Março de 2012

O meu sonho existe


O meu sonho existe,
E persiste,
É mais do que um ideal
É real.
Tem um corpo,
Uma alma e
Um desígnio.
Quando está presente,
É eminente
O desejo!

Quarta-feira, 14 de Março de 2012

Perdido


Perdido,
Encontrei o meu coração
Nos teus abraços.

Sábado, 10 de Março de 2012

Urgência


Em ti vive um imperativo
De excelência,
De bondade,
De graça.
Em mim existe uma urgência,
A emergência de
Te amar.

Quarta-feira, 7 de Março de 2012

O perfume


O perfume de um momento,
Assume consequências,
Prevê o júbilo,
Adota o enlace,
Unifica os sentidos.

Domingo, 4 de Março de 2012

O som da chuva refresca o tempo


O som da chuva refresca o tempo
Em que o olhar cumpria uma função mítica,
Semente criogénica,
Flutua na fímbria da perceção,
Sarça ardente,
Um inconveniente, uma indolência intermitente,
Busca simbólica da ética extraviada.