sexta-feira, 15 de setembro de 2017

Sempre na verdade

O vento ruge despudoradamente
Entre as árvores,
Saracoteiam os ramos em danças insinuantes,
Estabelecem a calma e a paz
E o fervilhar de emoções,
Que se insinuam de forma leve,
Transparente e
Constante.
Enuncia um tempo feliz,
Despreocupado mas
Atento,
Um usufruto intemporal,
Uma realidade construída,
Edificada,
Espelhada no silencio,
Nas conversas,
No tumulto,
Na bonança,
No ardor,
Sempre na verdade.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Inconstância da vida

Leve brisa espraia-se pelo tempo quente
Presente,
Quiçá futuro…
O marulhar confunde-se
Com o esvaído das estrelas que
Pernoitam no céu escuro,
Esvoaçam, serenas, questões que abalam
O rochedo da existência,
Tremeluzem luzes luzidias,
Por vezes
Até fugidias,
Assapam, inglórias,
A leveza de viver,
Ostentam perfumes exóticos,
Burilam,
Enxameiam, diletantes, o opróbrio da intolerância,
Hipnotizam,
Insones, gravitam no sono agitado,
Impermeabilizam ou estabelecem
Relações osmóticas,
Na inconstância da vida,
Transformam-se no
Perfume da delicadeza,
Movem-se, com veracidade, para a
Fidelidade!

sexta-feira, 18 de agosto de 2017

Arco de luz

Um arco de luz feérico
Ilumina a vida em seu redor,
Ilumina-me,

Por vezes,
Esmaece,
Transforma-se numa claridade dispersa
E erótica,

A língua estremece na minha,
As mãos arrepiam a pele,

O ritmo interpenetra-se com o
Meu,

A voracidade do desejo
Funde-se na minha paixão,

Afundamo-nos na lava do vulcão que
Nos habita,
Geramos o nosso terramoto,

Seduzes-me
Pelo teu amor irrequieto,
Sedoso e reconfortante,

Seduzes-me
Pelo teu pensamento esvoaçante e
Intrigante,
Ao mesmo tempo,
Leve e refrescante,

Pelo teu riso
Esfuziante,
Contagiante,

Pelo teu modo de viver,
De ser,

Pelo teu abraço quente,
A voz que acompanha,
Mesmo na solidão,
Pela preocupação com todos os seres vivo,
Com os amigos,
Pelo teu olhar,

Seduzes-me por seres
Tu! 

domingo, 23 de julho de 2017

O imbondeiro

O fogo devaneia pela savana,
Espraia-se pelo espaço infindável,
Rodeia o imbondeiro,
Acaricia-o ferozmente,
Expectante,
Colhe os frutos,

Mas a árvore
Resiste,
Beleza intemporal,
Na voragem da devastação,
Permanece
Na sua secular imponderabilidade,

Renasce,
Glosa a probabilidade de
Ser,
Amanhece no pôr-do-sol,
Delicia-se no
Entardecer,

Vive,
Porque viver é
Viver,
Está entre nascer e
Morrer,
Insinua-se no hedonismo do ócio,
Delineia um negócio,
Um pacto perspicaz,

Transmuta-se em ser humano,
Estabiliza o olhar circunspecto,
Absorve as ideias fundamentais,
Arquiteta a imaginação,

Refugia-se
Quando é preciso,
E,
De sobremaneira, usufrui o
Tempo,
Na incomensurável excelência
Do ter e
Ser!

segunda-feira, 3 de julho de 2017

Fruir

Autores,
Interlocutores,
Tentadores,

Inclusos
No verbo substantivo
De habitar um globo celeste,
Espairece no espaço celestial,
Incomum ou nem por isso,
Não sabemos,

Sempre delirantes,
Sabemos que
Envelhecem
No entusiasmo
De fruírem!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

O calor

O calor
Intui o ardor da relação,

Convive com a luz da noite fátua,
Estremece no ar parado,
Remove obstáculos,
Impele o movimento mais além,
Para lá da precaridade,

Estabelece uma solidez rochosa,
Mas, ao mesmo tempo,
Elástica,
Diluí o tempo em
Momentos
Plasmados na intensidade,

Indissipável,
Flana num vagabundear terreno,

Arremessa a inconstância para azimutes
Perdidos,
Não semeia fronteiras
Nem prisões,

Bem pelo contrário,
Assume uma sensação rara,
Mesmo única,
De duas pessoas respirarem em
Uníssono,
Olhos nos olhos.

domingo, 4 de junho de 2017

A árvore

A árvore, que em ti se plantou,
Tem raízes profundas,

A copa refresca numa sombra
Aprazível,
Um alento insondável,
Uma beleza indelével,

Um esquecimento prolongado e
Lenitivo
Espairece num círculo de pedras fúlgidas,
Excita-se
Numa combustão sensual,

Os ramos entrelaçam-se em
Labirintos afáveis,

O sol espelha uma seiva
Opulenta,

As folhas marulham segredos
Intemporais,

As tempestades abraçam-na com
Carinho,
Inteligível,
Indomável,
Apetecível,

Borboletas de cores translúcidas
Esvoaçam na lucidez do caminhos,
Deliberam,

Omnipresente,
O sabor reluz na plataforma do
Pôr-do-sol, 
Burila no horizonte uma luminosidade
Aquiescente,

Uma brisa que
Refresca nos teus braços,
Escalda o olhar sedento,

Um enlace improvável,
Presumível,
Se ponderado,

Ritmo transversal às décadas
Consumidas
Num instante,

Uma aventura ecuménica
Plasmada numa fotografia
Quieta no tempo,

Mas sempre em
Transformação. 

quinta-feira, 11 de maio de 2017

Porto de abrigo

O azul cinza do céu expande-se,
Toca numa fronteira impenetrável,
Nuvens abraçando as montanhas
Telúricas
Num amplexo rude e imemorial,
Transcrito nos colossais blocos graníticos
Encastrados na superfície
Ondulante,

Paisagem verde, perdida no
Horizonte,
Povoada, de quando em vez,
Por melancólicos ruminantes
De imponentes hastes
Adejando levemente,
Parecendo comandados pela
Brisa que asperge as folhas das
Árvores,
Contrastando com a quietude da
Terra,

Casas pontilham a serrania brava,
Uma em particular,
Onde na cama estás deitada,
Ainda ontem trepidou de
Paixão incontida,
Hoje aquieta-se no doce
Ronronar da respiração adormecida,
O riso, vibrante, ecoa pelas
Vetustas paredes,
Reverberando a poesia dos diálogos,
Aquecidos pelo labor da lareira,

Evocação
Do nascimento de uma fusão,
Parturiente da vida,
Cresceu no cume das montanhas e
Nas solarengas praias do sul,

Espraiou-se,
Forte e segura,
Voou nos evos do tempo,
E aqui, como em qualquer
Outro lugar do mundo,
Reside o nosso
Porto de abrigo!

quarta-feira, 26 de abril de 2017

Abril

Abril,
De vinte e cinco para
Vinte e seis,
O passar da liberdade para o
Êxtase,

Intuição imbricada
Em nós,
Transmutada em prazer,
Sem a parafernália do alquimista,
Nem a destreza do computador,
Vivificada pela equação do
Momento,
Libertada vezes sem conta,

Dois mil e dezassete,
Para lá da sageza das
Cartas divinatórias,
Muito além da construção
Quotidiana,
É uma
Dualidade singular e
Intemporal!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

A força de um abraço

A força de um abraço
Angolano
Envolve-nos na sedosa sensação
De um espírito austral e
Leve,
Incumbe a natureza
De assaltar a profundidade das sensações,
Derrubar preconceitos,

Sublime na astúcia da brisa refrescante,
Num ambiente morno,
Imponente na sombra trepidante do
Imbondeiro,
Amplexo complexo que se espraia num
Mar azul profundo,

Viagem a um tempo estival,
Respirando na condensação de uma cerveja gelada,
Um sol inebriante,
Um gin tónico refletido no deambulante gotejar
Que percorre o copo de lés a lés,

Corpos, geralmente escuros,
Bronzeados por milénios de insolação
Inclemente,

Contraste,
Fortíssimo contraste social,
Chocante até!

Miscelâneas de sabores, odores e
Cores,
Natureza telúrica,
Ancestral,
Comovente no seu enigma,

Pôr-do-sol intenso,
Plasmado numa noite fluída
Num espaço meridional,
Leve,
Ritmado por conversas lentas
Amenizadas pelo tom abraseado do céu,

Diamante à espera de lapidação,
Trópicos sapientes,
De uma sabedoria remota e
Mágica,

Amizade efervescente,
Evanescente,
Libertada de amarras,
Acrisolada na
Totalidade da vida,

Um vigésimo oitavo quilómetro
Perdido e
Achado,
Presente convocado no passado
Casas, pessoas,
Uma savana perpétua e
Infinita,
Inóspita, e,
Ao mesmo tempo,
Amigável e
Convidativa,
Salutar,

Um mupinda respirar e
Amar,
Amboim, bar, terra, gentes e,
Em especial,
Coração!

Porto Amboim, 12 de abril de 2017
Matosinhos, 19 de abril de 2017

domingo, 2 de abril de 2017

Uma centelha de sol

Uma centelha de sol atravessa a
Monotonia da chuva
Silenciosa,

Liberta um totem
Iconoclástico,
Insinuam-se possibilidades
Inebriantes,
Perscruta-se o horizonte
Arredio,
Assinala um ignoto
Baldio,

Viaja por terras
Recônditas,
Debrua um rendilhado
Diletante,
Afunda-se num adjetivo
Barroco,

Distrai-se com uma novela
Vadia,
Aquiesce com um sentido interrogativo
Da vida,

Elabora mais um caminho
Serpentando por montanhas
Mágicas,
Entrelaçado entre o azimute
Divertido e
Leve,

A cognoscência, célere,
Intromete-se no pensamento
Vadio,
Sedado por um livro
Profundo e amistoso,
Em seu perfeito juízo
Estremece como que num aviso,

Com um ar de delicioso
Divertimento,
Recolhe os ensinamentos
E sorri

Animado com a vida!

terça-feira, 21 de março de 2017

No dia mundial da poesia (em jeito de manifesto pessoal e intransmissível)

No dia mundial da poesia,
Vinte e um de maio de dois mil e dezassete,
Início da Primavera,
É preciso dizer ao mundo que

Trezentos e sessenta e cinco dias são precisos,

Porque:

O mundo não compreende a liberdade dos sentimentos,
Esmaga-se em dor,
Mortes e guerra,
Em incompreensões,
Em darwinismos sociais insensíveis,
Em refugiados obliterados,

Perde-se num egoísmo perene que
Subsiste nos recônditos da alma,
Num neoliberalismo caduco
Mas efetivo,
Que tudo destrói,
Tudo estrangula ao passar,
Deixa um deserto,
Onde nada medra,

Um mundo onde a ignorância mostra apetite para ser lei,
Quer-se instalar,
Vive na planificação do nosso planeta,
No desprezo pela vacinação,
Nas teorias da conspiração,
Avoluma-se na pseudociência,
Regride para lá do Iluminismo,
Opulenta-se na escuridão do conhecimento medieval,
Incrusta-se em crenças religiosas vácuas,
Alimenta-se com todos os muros que constrói,

Anima-se na animosidade natural do ser humano,
Inculca-se no pensamento,
Revive na tortura e no
Racismo,
Deleita-se na intolerância religiosa,
Assanha-se na violência.

Por tudo isto,
Por muito mais que seguramente esqueci,
É preciso denunciar,
Em prosa ou em poesia,

Queremos,
E, porventura, teremos direito,
A uma Terra mais espiritual,
Onde a compreensão e a
Liberdade
Sejam mais do que palavras,
Para que no globo onde vivemos
Seja
Infinitamente mais importante viver
Do que matar,

Onde a solidariedade seja substantiva,
Onde unir
Seja
Incomensuravelmente mais relevante
Que desunir,

Enfim,
Uma Humanidade que compreenda a
Poesia do Cosmo!

sábado, 11 de março de 2017

Na orla da noite

Na orla da noite, na praia deserta,
Unem-se,
Na solicitude da vontade,
No estipêndio da paixão, a intensidade subleva-se,
Um regato rumoreja tenuemente frases soltas
Libertadas no luar despretensioso,
Agora que o tempo se fez tempo e
A vida se transformou no
Verbo,
É tempo de encontrar,
Pertencer e
Acontecer.

domingo, 5 de março de 2017

A propósito de liberdade (talvez porque abril se aproxima)

Ausenta-se o sono,
O sonho acorda,
Os pensamentos revogam-se em interrogações,

Estabelece-se uma hipótese que sobrevoa lentamente em espiral,
Deslinda-se um caminho,
Outro esconde-se,
Inconstante, a névoa etiliza a mente,

Talvez os áugures entendam a complexidade humana,
Porventura só os deuses conhecerão a verdade,

Mas eles escondem-se em mitologias,
Mais ou menos elaboradas,
Nada dizem,
Nada acrescentam,
Serpenteiam em paraísos,
Ora terrestres ora etéreos
E não se interessam,

A realidade abre-se num sentido caleidoscópio,
Interiorizam-se mais argumentos,
Estruturam-se debates,
Dividem-se culpas,
Um poço de insanidade inunda as sensações,

Regurgitam-se velhas noções,
Escutam-se vetustas canções,
Aguarda-se que a semiótica desvende os mistérios
E alcance a resposta correta,
Embora no auge desta laboriosa demanda
Não existam refutações
Nem soluções,

Talvez só uma réplica,
Em jeito de terramoto intelectual,
Um grito bamboleante que espairece na rua
Embaraçada pelo trânsito cognoscente,

Mais um pensamento estiolado,
Esvanecido numa tela remota,
Distante de nós próprios,
Carente de sentido,
Apesar de tudo, solicito,

Entretido,
Ditirâmbico,
Intencional,
Se de intenções o mundo está repleto,

Agnóstico,
Porque o tempo atual desconfia da gnose,
Procura o efémero e petulante,

Insinua-se,
De forma ténue…

E,
Finalmente,
Como que vinda de uma outra dimensão,
Com toda a sorte possível,
O sono
Liberta,
O sonho
Alforria,
A vida,
Se vivida,
Desacorrenta!

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O amor (Um poema para o dia de S. Valentim)

A sensualidade de um tempo quente e calmo
Perpassa na identidade intimista,
No conhecimento que se adquire,
Na beleza do ambiente,
Nos sentimentos que se amplificam,
Na serenidade conquistada que se completa,
No debate dirimido e sério,
Na gargalhada sumptuosa
Que esparge o leito,
Na tristeza intensa,
Na alegria insinuante,
Na trepidação constante,
No zénite solar,
No estiolar,
No refrigério de almejar,
Na inquietude temperada,
Na inconstância da vida,
Na perseverança da lealdade,
Na incógnita, pouco a pouco
Desvendada,
Na ínclita sensação de olhar,
Na impermeabilidade de crescer,
Na tolerância do saber,
No desejo de ler o
Outro,
Na benignidade de conversar,
Na felicidade de estar vivo e
Amar.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Um dia rasgado na noite

De repente o tempo geme descontroladamente,
O vento muda,
Escapam-se moléculas arrastadas pelo ímpeto crescente,
Aquece o chã na chaleira de ferro fundido,
As brasas emulsionam o ar que se expande
Esborratado na álea das cerejeiras seduzidas pelo inverno,
Vestidas de cores ruborizadas,
O bramido explana-se num inteiro e dúctil ruído,

Aquieta-se, agiganta-se,
Bebe de um copo de cristal,
Assume a transparência incongruente da vida,
Deslocaliza-se num pensamento sofista,
Errante, vasculha um sentido, um propósito,
Uma tira de banda desenhada,
Um estirador abandonado pelo desenhador
Preocupado com a construção dos sentimentos,
E ri, do riso nasce o esplendor,
Alguma curiosidade,
E seguramente uma intensidade telúrica,

No mesmo instante, a
Singeleza de um gesto,
Estupefacto,
Com pompa e sumptuosidade veste-se de harmonia,
Mas, entretanto,
A tempestade sacode os alicerces que basculam numa
Intensidade crescente,
Tremem,
Mas permanecem,

Revê-se num filme qualquer abandonado em
Algum armazém digital,
Sobrevive,
Talvez escondido num deserto insolúvel,
Perdido numa floresta de árvores milenares,
Entretido numa fantasia inconclusiva,
Achado numa cama afetiva,
Libertado num sonho surrealista,
E entusiasmado numa terna tentação.

Acelera,
Brinca no areal da praia,
Delicia-se na água que salga as línguas impacientes,
Nadam num espaço rítmico,

A dor
Cobre a existência com um manto incolor,
Rarefaz-se lentamente numa chuva miudinha que
Acinzenta e embrutece o momento que
Intumesce num frio morno que
Adormece,

A palidez recobre a face,
Enruga-se de preocupação,
O mundo entra em ebulição,
Fervilha incontido,
Na inconstância do inconclusivo,

O copo cai com estrondo,
Parte-se em milhares de cacos
Espalhados pelo chão,
Miríades de vidrinhos multifacetados que
Refletem a luz e
Opalescem,
Vibrantes de emoção,

Dispersam,
Fica a mesa vazia,
Emerge a Natureza morta da consciência,
Com a sua perene beleza,

Na janela, a noite imponente
Vence
O Homem impotente,
Apenas um espectador,
Um títere desgovernado num universo inclemente,
Um grão de poeira na totalidade absurda do Cosmos,
Uma marionete do destino
Entrançada nos eventos que fluem livremente à sua volta,
Um leve sopro no vendaval,

E, no entanto,
Levantar-se-á um novo amanhecer,
O sol, feérico, erguer-se-á no
Azimute habitual,
Mais um dia germinará
Rasgado na noite

Assim se expande a vida,
Na perpétua
Oscilação entre o bem e o mal,
O desconhecido e o saber,
A vontade e a inércia,
A leveza e a gravidade que nos arrasta,
Afasta,
Aproxima,
E surpreende no ato de nascer.

sábado, 14 de janeiro de 2017

Serenidade

A serenidade adquire peso na idade,
Suportável, e até, bem-vinda,
Aquiesce na labareda da lareira,
Domina o tempo com um torpor quase mágico que
Se infiltra de forma insidiosa e insolente,

Um espaço tamanho abre-se para um lugar perdido na
Mente,
Outrora teria um significado real,
Hoje estagna na lentidão do pensamento,
Já nada pretendo,
Para além de ser eu mesmo,

Não quero lutas pelo poder,
Não quero discussões bizantinas,
Não tenho tempo, pois a fadiga instala-se rapidamente,
Para deambular em labirintos,
Não quero a agitação de correr atrás de lugares ou
Pessoas,

Não quero agressões nem divisões,
Não quero encontrar-me num lugar por outros determinado,
Não desejo fazer parte de uma rebelião,
Quero ser a totalidade da revolta,
Ainda que interior,

Não pretendo rever-me em D. Quixote ou no D. Sebastião,
Num qualquer herói de banda desenhada,
Numa esquina de rua,
Ou numa mesa de um incógnito café,
Quero ser só aquilo que sou,

Quero a tranquilidade de ser vivo, escutar e falar,
Rir, divertir-me,
Ler e
Vaguear pelos cinco sentidos,
Flanar pelo Universo tranquilo,
Conhecer novos mares e marés,
Quero o sossego de nascer e morrer,
Quero, de modo muito elementar, mas verídico,
Deitar-me em paz com o mundo e

Acordar sereno comigo e
Contigo.

domingo, 1 de janeiro de 2017

Dois mil e dezassete

Dois mil e dezassete,
Como todos os outros antes,
Começará como uma página branca que
Se irá preenchendo de História e histórias,
Umas quantas por nós mesmo rabiscadas,
Uma boa parte determinada pelos deuses da fortuna,
Assim se cumprirá mais uma viagem de circum-navegação
Pelo espaço sideral,
Assim se saberá para onde caminhámos,
Assim se passará do condicional para o
Presente!